Valores a receber: como consultar se há dinheiro esquecido em seu nome no sistema oficial
Da redação · 4 min de leitura

Contas encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, cotas de consórcio encerrado e sobras de capital em cooperativas: esses são alguns dos valores que ficam esquecidos em instituições financeiras e que podem ser consultados, sem custo, no Sistema de Valores a Receber (SVR), mantido pelo Banco Central.
O que é o Sistema de Valores a Receber
O SVR reúne, em um único lugar, informações enviadas pelos bancos, financeiras, cooperativas, administradoras de consórcio e demais instituições autorizadas sobre recursos que pertencem a clientes e ex-clientes, mas que não foram devolvidos. O sistema foi lançado em 2022 e passou a funcionar de forma permanente, com atualização periódica das informações.
Entre os tipos de valores mais comuns estão:
- saldo em contas correntes ou de poupança encerradas;
- tarifas e parcelas de operações de crédito cobradas indevidamente, com obrigação de devolução;
- cotas de capital e rateio de sobras de cooperativas de crédito;
- recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados;
- outros valores previstos em norma do Banco Central.
Os valores podem pertencer tanto a pessoas físicas quanto a empresas, e também a pessoas falecidas, caso em que herdeiros e inventariantes podem fazer a consulta.
Passo a passo da consulta de valores a receber no Banco Central
A consulta é feita exclusivamente no site oficial do Banco Central dedicado ao serviço, que pode ser encontrado a partir da página inicial do próprio BC. O caminho básico é este:
- Acesse o site oficial do Sistema de Valores a Receber e escolha a opção de consulta.
- Entre com a sua conta gov.br, a mesma usada em outros serviços públicos digitais.
- O sistema informa se há valores e, se houver, mostra a instituição, a origem e o montante.
- Para pedir a devolução, a conta gov.br precisa ter nível prata ou ouro e verificação em duas etapas ativada.
- Se a instituição oferecer devolução por Pix, basta indicar a chave e confirmar. Caso contrário, o sistema informa o contato da instituição para combinar a forma de pagamento.
Guarde o número de protocolo da solicitação. É com ele que se acompanha o pedido e se reclama, caso o prazo informado pela instituição não seja cumprido.
Consulta de valores de pessoas falecidas
Herdeiros, testamentários, inventariantes e representantes legais podem consultar valores em nome de quem morreu. Para isso, é preciso informar os dados do falecido e declarar a condição de herdeiro ou representante. A devolução, nesses casos, segue regras próprias da instituição e pode exigir documentos como certidão de óbito e comprovação da partilha.
Golpes que usam o nome do serviço
Como o tema envolve dinheiro e costuma ganhar atenção sempre que há nova divulgação, golpistas aproveitam para criar sites falsos, mensagens e ligações. Alguns sinais de alerta:
- Pedido de pagamento: a consulta e o resgate são gratuitos. Ninguém precisa pagar taxa para receber o dinheiro.
- Links por mensagem: o Banco Central não envia links por SMS, e-mail ou aplicativo de mensagens. O acesso deve ser feito digitando o endereço oficial no navegador.
- Contato telefônico: nem o Banco Central nem as instituições ligam pedindo senha, código de verificação ou dados bancários para liberar valores.
- Intermediários: não é preciso contratar despachante ou empresa para fazer a consulta.
Diante de qualquer mensagem suspeita, o melhor é não clicar, não responder e fazer a consulta diretamente no site oficial.
Quando vale repetir a consulta
As instituições atualizam as informações periodicamente, e novos valores podem aparecer ao longo do tempo. Por isso, vale repetir a consulta algumas vezes por ano, principalmente depois de encerrar contas, mudar de banco, sair de uma cooperativa ou quitar um consórcio. Quem cuida das finanças de pais idosos ou de familiares falecidos também pode aproveitar a ferramenta para organizar pendências.
Dúvidas mais frequentes
É preciso pagar alguma taxa para consultar ou resgatar valores a receber?
Não. A consulta e a solicitação de devolução são gratuitas. Qualquer cobrança associada ao serviço é sinal de golpe.
Quanto tempo a instituição leva para devolver o dinheiro?
O prazo é informado no próprio sistema, no momento do pedido, e depende da instituição e da forma de devolução escolhida. Quando o pagamento é feito por Pix, costuma ser mais rápido.
Empresas também podem ter valores a receber?
Sim. A consulta para pessoa jurídica também é feita no sistema oficial, com acesso vinculado ao CNPJ e ao representante legal da empresa.
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