Economy Brasil
Edição 2026

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza: como o Brasil mede quem é pobre

Da redação · 4 min de leitura

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Dizer quantas pessoas são pobres parece uma questão de contagem, mas antes de contar é preciso definir quem entra na conta. O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, celebrado em 17 de outubro, é uma boa ocasião para entender como essa definição é feita no Brasil e no mundo e por que diferentes números podem conviver sem que nenhum esteja errado.

A origem da data

A data remonta a 17 de outubro de 1987, quando cerca de cem mil pessoas se reuniram em Paris, no Trocadéro, na praça atualmente conhecida como Praça dos Direitos Humanos e das Liberdades, para homenagear vítimas da pobreza extrema, da fome e da violência. O encontro foi convocado pelo padre Joseph Wresinski, fundador do movimento ATD Quarto Mundo. Em 22 de dezembro de 1992, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução 47/196, declarou oficialmente o 17 de outubro como Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

Linhas de pobreza: o critério da renda

A forma mais difundida de medir a pobreza é a linha de renda. Define-se um valor mínimo por pessoa, por dia ou por mês, e considera-se pobre quem vive abaixo dele. A renda domiciliar é somada e dividida pelo número de moradores, o que gera a renda per capita.

O Banco Mundial estabelece linhas internacionais expressas em dólares por dia, convertidos pela paridade de poder de compra, um ajuste que leva em conta o custo de vida de cada país. Há uma linha para a pobreza extrema e outras, mais altas, pensadas para países de renda média, como o Brasil. Esses valores são revistos de tempos em tempos, quando novas pesquisas de preços são incorporadas; a revisão mais recente ocorreu em 2025.

Como é medida a pobreza no Brasil

No país, a principal fonte de dados é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, que investiga rendimentos de todas as fontes. A partir dela, o instituto publica anualmente a Síntese de Indicadores Sociais, que aplica as linhas do Banco Mundial para estimar a proporção da população em pobreza e em extrema pobreza.

Além das linhas estatísticas, existem as linhas administrativas, usadas por programas sociais. Elas definem, em reais, a renda per capita máxima para acesso a benefícios e são registradas no Cadastro Único, base de dados que reúne famílias de baixa renda. Como servem a objetivos distintos, as linhas administrativas não precisam coincidir com as estatísticas.

Por isso, é comum encontrar percentuais diferentes de pobreza em reportagens e relatórios. Antes de comparar números, vale verificar três pontos:

Pobreza multidimensional

A renda não conta toda a história. Uma família pode estar pouco acima da linha de pobreza e, ainda assim, viver sem saneamento, com crianças fora da escola ou sem acesso regular a serviços de saúde. Para capturar essas carências, foi criado o conceito de pobreza multidimensional.

O Índice de Pobreza Multidimensional, desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, combina indicadores de três dimensões:

  1. Saúde, como nutrição e mortalidade infantil.
  2. Educação, como anos de estudo e frequência escolar.
  3. Padrão de vida, como acesso a água, saneamento, energia, moradia adequada e bens básicos.

A pessoa é considerada multidimensionalmente pobre quando acumula privações acima de um limite definido. Essa abordagem ajuda a orientar políticas que não se resolvem apenas com transferência de renda.

Pobreza e desigualdade não são a mesma coisa

Outro ponto de confusão é tratar pobreza e desigualdade como sinônimos. Pobreza diz respeito a quem está abaixo de um mínimo. Desigualdade mede a distância entre os que têm mais e os que têm menos, independentemente do nível geral de renda.

O indicador mais conhecido de desigualdade é o índice de Gini, que varia de 0 (todos com a mesma renda) a 1 (toda a renda concentrada em uma pessoa). Um país pode reduzir a pobreza sem reduzir a desigualdade, se todos ganharem mais na mesma proporção, e o contrário também pode acontecer.

Dúvidas mais frequentes

Quem define a linha de pobreza usada no Brasil?

Não há uma única linha oficial. O IBGE aplica as linhas internacionais do Banco Mundial em suas análises, enquanto programas sociais usam linhas administrativas próprias, definidas em reais pelo governo federal.

O que é pobreza multidimensional?

É uma forma de medir a pobreza que vai além da renda e considera privações em saúde, educação e padrão de vida, como falta de saneamento ou de acesso à escola.

Reduzir a pobreza significa reduzir a desigualdade?

Não necessariamente. A pobreza pode cair se a renda dos mais pobres aumentar, mas a desigualdade só diminui se a distância entre os extremos da distribuição também encolher.

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