Dia Nacional da Inovação: por que inovar pesa tanto na produtividade da economia
Da redação · 4 min de leitura

Em 19 de outubro de 1901, Alberto Santos Dumont contornou a Torre Eiffel a bordo do dirigível número 6 e voltou ao ponto de partida dentro do tempo exigido pelo Prêmio Deutsch. A façanha deu nome a uma data: o Dia Nacional da Inovação, instituído pela Lei 12.193, de 14 de janeiro de 2010. Mais do que homenagear um inventor, a data convida a discutir por que inovar é tão importante para o desempenho de uma economia.
O que economistas chamam de inovação
No senso comum, inovação costuma ser associada a invenções espetaculares ou a empresas de tecnologia. Para a economia, o conceito é mais amplo. O Manual de Oslo, publicação da OCDE que orienta as pesquisas sobre o tema em vários países, define inovação como um produto ou processo novo ou significativamente melhorado, que foi colocado em uso ou disponibilizado no mercado.
Isso inclui situações bem cotidianas:
- uma indústria que adota um novo método de produção e reduz desperdício;
- um varejista que reorganiza a logística e entrega mais rápido;
- uma empresa de serviços que digitaliza o atendimento;
- um produtor rural que passa a usar uma técnica de manejo mais eficiente.
O ponto central é que a novidade precisa sair do papel. Uma invenção que não chega ao uso ainda não é, no sentido econômico, uma inovação.
A ideia de inovação como motor da economia ganhou força com o economista austríaco Joseph Schumpeter, que descreveu o capitalismo como um processo de destruição criadora: novos produtos e métodos substituem os antigos, empresas surgem e desaparecem, e esse movimento impulsiona o crescimento.
Por que inovação e produtividade andam juntas
A renda de um país depende, no longo prazo, de quanto se produz por trabalhador e por hora trabalhada. Essa é a medida de produtividade do trabalho. Ela pode aumentar por três caminhos principais: mais capital por trabalhador (máquinas, equipamentos, infraestrutura), trabalhadores mais qualificados e melhor uso dos recursos existentes.
O terceiro caminho é o que economistas chamam de produtividade total dos fatores, e é ali que a inovação pesa mais. Quando uma empresa descobre uma forma melhor de combinar pessoas, máquinas e processos, ela produz mais com os mesmos insumos. Somados, esses ganhos explicam boa parte das diferenças de renda entre países.
Sem inovação, crescer depende apenas de acumular mais trabalho e mais capital, e esse caminho encontra limites: a população em idade ativa não cresce para sempre e cada máquina adicional rende um pouco menos que a anterior. A inovação desloca essa fronteira.
Dia Nacional da Inovação e o desafio brasileiro
A produtividade é um tema recorrente no debate econômico brasileiro, porque o crescimento da produção por trabalhador no país tem sido modesto por longos períodos. Entre os fatores apontados por estudiosos estão a qualidade da educação, a infraestrutura, o ambiente de negócios, a complexidade tributária e a baixa difusão de tecnologias já conhecidas entre pequenas e médias empresas.
Esse último ponto é importante. Inovar não significa apenas criar algo inédito no mundo; adotar uma tecnologia que outras empresas já usam também eleva a produtividade de quem adota. Em muitas economias, a maior parte dos ganhos vem justamente dessa difusão.
O país tem instrumentos legais voltados ao tema, como a Lei de Inovação, de 2004, que trata da cooperação entre universidades, institutos de pesquisa e empresas, e a chamada Lei do Bem, de 2005, que prevê incentivos fiscais para atividades de pesquisa e desenvolvimento.
Como a inovação é medida
Medir inovação é difícil, porque ela assume formas muito variadas. Alguns indicadores usados com frequência:
- Gastos em pesquisa e desenvolvimento como proporção do PIB, públicos e privados.
- Pedidos de patentes e registros de propriedade intelectual.
- Pesquisas com empresas, como a Pesquisa de Inovação (Pintec), do IBGE, que pergunta se as empresas introduziram produtos ou processos novos e quais obstáculos enfrentaram.
- Índices compostos internacionais, como o Índice Global de Inovação, publicado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, que combinam dezenas de indicadores.
Nenhuma dessas medidas é perfeita isoladamente, mas juntas ajudam a acompanhar a evolução do país e a comparar com outras economias.
Dúvidas mais frequentes
Por que o Dia Nacional da Inovação é em 19 de outubro?
A data homenageia o voo de Santos Dumont em torno da Torre Eiffel, em 19 de outubro de 1901. Ela foi instituída pela Lei 12.193, de 2010.
Inovação é o mesmo que tecnologia?
Não. Tecnologia pode fazer parte da inovação, mas o conceito inclui também mudanças em processos, organização e formas de atender o cliente, mesmo sem equipamentos novos.
Pequenas empresas também inovam?
Sim. Adotar um processo mais eficiente, um novo canal de venda ou uma ferramenta de gestão já é inovação para a empresa, mesmo que a solução exista em outros lugares.
■