IPCA, INPC e IGP-M: o que cada índice de inflação mede e onde ele aparece na sua vida
Da redação · 4 min de leitura

Inflação não é um número só. O Brasil tem vários índices de preços, calculados por instituições diferentes, com metodologias e cestas próprias, e cada um deles aparece em um canto distinto da vida financeira das famílias. Saber a diferença entre IPCA, INPC e IGP-M ajuda a entender por que o reajuste do aluguel às vezes dispara enquanto a inflação oficial parece comportada.
IPCA: o índice oficial de inflação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo é calculado pelo IBGE e mede a variação de preços para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, residentes nas principais regiões metropolitanas e capitais pesquisadas. A cesta é montada a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares, que mostra quanto do orçamento vai para cada grupo de gastos.
Os grupos incluem alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação. O peso de cada um reflete o padrão de consumo médio dessas famílias.
É o IPCA que serve de referência para o sistema de metas de inflação: o Conselho Monetário Nacional define a meta, e o Banco Central calibra a taxa básica de juros para tentar cumpri-la. Ele também corrige títulos públicos atrelados à inflação e, cada vez mais, contratos privados.
INPC: a inflação de quem ganha menos
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor também é do IBGE e usa a mesma coleta de preços do IPCA. A diferença está no público: o INPC considera famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. Por isso, itens como alimentação e transporte público pesam mais na cesta, e gastos típicos de renda mais alta pesam menos.
Essa característica faz do INPC a referência para correções ligadas ao poder de compra de quem ganha menos. É o índice usado na regra de reajuste do salário mínimo e na correção dos benefícios do INSS acima do piso. Também aparece com frequência em negociações salariais de categorias profissionais.
IGP-M: a inflação do atacado e dos contratos
O Índice Geral de Preços do Mercado é calculado pela Fundação Getulio Vargas e tem estrutura bem diferente. Ele é uma média ponderada de três outros índices:
- IPA, de preços ao produtor, com peso de 60%;
- IPC, de preços ao consumidor, com peso de 30%;
- INCC, de custos da construção civil, com peso de 10%.
Como o IPA domina a conta, o IGP-M é muito sensível a commodities, como minério, petróleo e grãos, e à variação do dólar. Quando o câmbio sobe ou as commodities disparam, o IGP-M reage antes e com mais força do que os índices ao consumidor.
O IGP-M se popularizou como índice de reajuste de contratos de aluguel e de algumas tarifas públicas. Sua coleta vai do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de referência, o que permite divulgação ainda no fim do próprio mês.
Diferença entre IPCA, INPC e IGP-M na prática
A divergência entre os índices fica evidente em choques de câmbio e de commodities. Em 2020 e 2021, com o dólar alto e matérias-primas em alta, o IGP-M acumulado em 12 meses chegou a superar 30%, enquanto o IPCA subia bem menos. Muitos inquilinos receberam propostas de reajuste muito acima da inflação percebida no dia a dia, e a troca do índice em contratos de aluguel virou tema de negociação.
O movimento inverso também acontece. Quando commodities recuam, o IGP-M pode ficar negativo em 12 meses, situação em que o índice de contrato reduziria o aluguel.
Um resumo de onde cada índice costuma aparecer:
- IPCA: meta de inflação, títulos públicos indexados, correção de contratos diversos.
- INPC: salário mínimo, benefícios previdenciários, acordos salariais.
- IGP-M: aluguel, contratos comerciais, algumas tarifas reguladas.
Para o consumidor, a lição prática é conferir qual índice está escrito em cada contrato antes de assinar e acompanhar o acumulado em 12 meses perto da data de reajuste.
Dúvidas mais frequentes
Qual é o índice oficial de inflação do Brasil?
É o IPCA, calculado pelo IBGE. Ele é a referência do sistema de metas de inflação conduzido pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central.
Por que o IGP-M varia tanto em relação ao IPCA?
Porque 60% do IGP-M vem de preços ao produtor, muito influenciados por commodities e câmbio. O IPCA acompanha apenas preços pagos pelo consumidor final, que reagem de forma mais lenta e suavizada.
Posso trocar o índice de reajuste do meu contrato de aluguel?
O índice é definido em contrato, mas pode ser alterado por acordo entre locador e locatário, registrado por escrito em um aditivo. Sem acordo, vale o índice originalmente pactuado.
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