As maiores obras em andamento no Brasil em 2026, do metrô às pontes, por valor investido
Da redação · 4 min de leitura

Metrô, ferrovia, ponte, túnel e linha de transmissão: as obras de infraestrutura em execução no país em 2026 somam contratos de vários bilhões de reais cada uma e movimentam toda a cadeia da construção. Ordenar as maiores obras do Brasil em 2026 pelo investimento declarado ajuda a enxergar onde está o dinheiro, desde que o número seja lido com cuidado: nem todo valor mede a mesma coisa.
Por que os valores não são diretamente comparáveis
Os números abaixo vêm de regimes diferentes. Em uma parceria público-privada (PPP), o valor costuma reunir aporte público, investimento privado e obrigações que se estendem por décadas de contrato. Em obra pública, trata-se do orçamento de construção. Há ainda investimentos feitos como contrapartida de concessões e valores calculados em bases de preço de anos distintos. A lista mostra, portanto, a ordem de grandeza, e não um placar exato.
O ranking por investimento declarado
- Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, R$ 19,1 bilhões. PPP da concessionária LinhaUni, que tem a Acciona como principal acionista. Seis estações abriram em 2 de julho de 2026, e o trecho completo, até São Joaquim, está previsto para 2027.
- Transnordestina, cerca de R$ 15 bilhões, segundo estimativa do projeto total publicada na imprensa em agosto de 2026. A ferrovia, a cargo da TLSA, do grupo CSN, tinha 84% da primeira fase executada em setembro de 2026, com conclusão dessa etapa prevista até o fim de 2027.
- Trem Intercidades São Paulo–Campinas, R$ 14,2 bilhões, dos quais R$ 8,5 bilhões públicos, em valores de 2022. A concessionária C2 Mobilidade sobre Trilhos iniciou as obras em março de 2026, e o trem expresso deve operar em 2031.
- Ponte Salvador–Itaparica, R$ 11,6 bilhões, com R$ 3 bilhões federais, R$ 3,1 bilhões do governo baiano e R$ 5,5 bilhões da concessionária formada pelas chinesas CCCC e CCECC. As obras começaram em 1º de julho de 2026, com conclusão prevista para junho de 2031.
- FICO, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste, cerca de R$ 10,7 bilhões, segundo estimativa divulgada em 2026, dos quais R$ 5,1 bilhões já contratados. Executada pela Vale como contrapartida da renovação das ferrovias Vitória-Minas e Carajás, tinha 55,38% de avanço físico em junho de 2026.
- Túnel imerso Santos–Guarujá, R$ 6,8 bilhões, pelo valor da Secretaria de Parcerias em Investimentos de São Paulo. O contrato de PPP de 30 anos com a Mota-Engil foi assinado em 28 de janeiro de 2026; este ano é dedicado a projetos, licenças e desapropriações, e a operação está prevista para 2031.
- Linhão Manaus–Boa Vista, R$ 3,3 bilhões. Entregue um ano antes, a linha de transmissão da Transnorte Energia foi energizada em setembro de 2025 e integrou Roraima ao sistema elétrico nacional.
- Rodoanel Norte, cerca de R$ 3 bilhões em compromisso de investimento da concessão, assumida pelo grupo Via Appia. O trecho entre a Dutra e a Fernão Dias opera desde 23 de dezembro de 2025, e o segmento final estava com 68% das obras em junho de 2026.
O Novo PAC como pano de fundo
Parte dessas obras depende de recursos federais. O Novo PAC, programa lançado em 2023 com R$ 1,7 trilhão anunciados, havia executado 89,5% dos recursos previstos para o ciclo 2023-2026 até março de 2026, segundo a Casa Civil. O programa participa, por exemplo, do financiamento da ponte baiana, com os R$ 3 bilhões federais, e do túnel entre Santos e Guarujá. Para empresas de engenharia e fornecedores de insumos, acompanhar esse cronograma é tão importante quanto acompanhar o valor anunciado.
Obras regionais na casa do bilhão
Abaixo do topo do ranking há obras de valor menor que pesam mais na economia local do que o tamanho sugere. Elas concentram gasto em poucos municípios, contratam mão de obra da região e mexem no custo de transporte de quem produz ali.
- Nova Serra das Araras (BR-116, Via Dutra, RJ), R$ 1,5 bilhão. A concessionária RioSP, do grupo Motiva, entregou em junho de 2026 a primeira fase, com 4 km da nova pista de subida e oito viadutos. A subida completa está prevista para o primeiro semestre de 2027, e a descida, para 2029.
- Complexo Viário do Alto Tietê (Poá e Suzano, SP), cerca de R$ 1,2 bilhão, segundo o anúncio do governo paulista e da concessionária SPMAR. O conjunto de viadutos e acessos ao Rodoanel tem conclusão prevista para o fim de 2027.
Num corredor rodoviário ou numa região metropolitana, uma obra desse porte pode reduzir o custo logístico de empresas locais por muitos anos, efeito que um ranking nacional por valor não capta.
Dúvidas mais frequentes
Qual é a maior obra em andamento no Brasil em 2026?
Pelo investimento declarado, a Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, de R$ 19,1 bilhões, lidera a lista. A comparação, porém, mistura regimes de contratação e bases de preço diferentes.
Por que os valores das obras não podem ser comparados diretamente?
Porque o valor de uma PPP pode incluir aportes públicos, investimento privado e compromissos ao longo do contrato, enquanto o orçamento de uma obra pública costuma se limitar à construção. As bases de preço também variam de ano para ano.
O que é o Novo PAC?
É o programa federal de investimentos em infraestrutura lançado em 2023, com R$ 1,7 trilhão anunciados. Até março de 2026, havia executado 89,5% dos recursos previstos para o ciclo 2023-2026, segundo a Casa Civil.
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